O dia que servi chá para David Bowie

Sabe aquelas situações que já aconteceram há anos mas, só de lembrar, a gente dá uma tremidinha, se encolhe de leve e morre de vergonha? Com o aniversário de David Bowie, me lembrei do dia em que servi chá para Deus – ou melhor dizendo, meu ídolo.

Ia fazer quase um ano que estava morando em Londres e estava muito na dúvida se ficava por lá mais um tempo.

Chegando no trabalho, bar do Tate Modern, notei que rolava um burburinho muito discreto, como bons ingleses. Alguém comentou: “Tem um cantor famoso aí. A mulher dele é curadora de uma das exposições”. Outra pessoa disse: “Parece mais uma senhorinha de 80 anos do que um super star”, estiquei o pescoço, mal vi a tal “senhorinha” e nem dei bola.

Foi quando, algum tempo depois, veio um pedido de uma mesa que pedia um Jasmin Tea, junto com a observação “para David Bowie”. Eu quase cai no chão, não sabia se fazia o chá, se gritava ou saia correndo para abraçá-lo.

Meu gerente percebeu a emoção e disse: “quer levar o chá até a mesa dele?”. Óbvio que eu fiquei tremendo mais que vara verde e ele achou melhor eu levar somente o guardanapo para evitar maiores acidentes.

Fiz o chá, meu gerente levou até a mesa e logo atrás fui eu, com um porta-guardanapos na mão, ensaiando o que eu ia falar. De fato, ele parecia mesmo um pouco como uma velhinha de 80 anos, mas também tinha uma coisa que não me permitia parar de olhá-lo e admirá-lo.

“Here you are, sir”, falei colocando os guardanapos na mesa, “I am a big fan”.

“Thank you, my darling”, ele respondeu com uma voz que me anestesiou a ponto de ignorar 100% o olhar de reprovação do meu gerente. Afinal, era o DAVID BOWIE!

Essa sensação durou o resto do dia e eu ainda fico roxa de vergonha e felicidade ao lembrar dessa história.

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